Patrimônio histórico às margens do Jacuí.

postado em 21 de nov de 2012 12:48 por webmaster
Patrimônio histórico às margens do Jacuí
On 23 de junho de 2009, in Notícias, Rio Grande do Sul, by Silvana Losekann



Rua da Ladeira, implantada em 1813 com trabalho de escravos, é a primeira via calçada do Rio Grande do Sul

Ao mesmo tempo em que a economia ganha impulso com a expansão da fronteira agrícola e com novos investimentos, Rio Pardo vive um momento especial em sua história. Em 2009, a cidade celebra os 200 anos da assinatura do decreto real que a elevou à categoria de vila. Exercendo papel de destaque no desenvolvimento do Estado desde o século XVIII, Rio Pardo possui um conjunto arquitetônico e histórico de grande valor, com diversos prédios tombados pelo Patrimônio Histórico gaúcho. Situado às margens do rio Jacuí, o município ocupava em torno de dois terços do território estadual em 1809 e foi responsável pela geração de mais de 200 municípios ao Sul e a Oeste do RS. A localização estratégica consolidou as primeiras rotas comerciais para a Região da Fronteira.

Apesar das divergências sobre a data de criação – se a da chegada dos primeiros casais açorianos, no início do século XVII, ou a da posse da primeira Câmara de Vereadores, em 20 de maio de 1811 –, Rio Pardo iniciou a contagem regressiva para o bicentenário em 7 de outubro de 2008. A programação ficará concentrada em outubro, com a Festa Portuguesa, Semana de Ramiz Galvão, Gincana Solidária e a semana de 1º a 7, especialmente preparada para festejar os dois séculos de criação do município. ‘Trabalhamos em prol do desenvolvimento de um município que guarda a história do povo gaúcho, suas origens e seus grandes feitos. Sejamos nós os novos personagens que farão parte das vitórias dos próximos séculos’, disse o prefeito Joni Lisboa da Rocha. Ele relembrou o passado heroico da Tranqueira Invicta, ao destacar que ‘Rio Pardo não precisa mais pegar em armas para defender sua terra, mas precisa manter a tradição viva’.

Caracterizada por ruas estreitas, prédios e locais históricos, a cidade tem no turismo outro atrativo. O roteiro Caminhos da História oferece passeio voltado ao patrimônio arquitetônico, cultural, militar, religioso ou ao de aventura, conforme o interesse do participante. Organizados pela agência do turismólogo Flávio Wunderlich, todos incluem guia local, ingressos nos locais de visitação e degustação do sonho tradicional. A partir da Praia dos Ingazeiros, onde começou a ocupação de Rio Pardo, o visitante conhece outros pontos, como a Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário, Museu Barão de Santo Ângelo, Museu de Arte Sacra e Igreja de São Francisco, Rua da Ladeira e Solar Panatieri, Centro Regional de Cultura, Museu Zoológico, Estação Férrea Central, Cruz do Barro Vermelho, Estação Férrea de Ramiz Galvão, Ponto do Arroio do Couto e Igreja de São Nicolau. Canhões ao lado da Estação de Tratamento da Corsan lembram a origem do município, em 1752, com a construção do Forte Jesus Maria José, às margens do rio Jacuí.

Há rotas específicas para colégios, de acordo com o nível de escolaridade dos alunos, sem falar na gastronomia típica da colonização portuguesa e açoriana.

Museus atraem turistas e pesquisadores



A história guardada nos museus e nos espaços culturais de Rio Pardo atrai turistas e é fonte inesgotável de pesquisa. Isso faz com que o município seja uma referência além de suas fronteiras. A Igreja São Francisco, por exemplo, abriga um dos mais ricos acervos de arte religiosa do país, com imagens sacras, vestes e utensílios utilizados por padres e fiéis há 200 anos. O Museu Municipal Barão de Santo Ângelo surgiu a partir de exposição de objetos usados na Revolução Farroupilha, durante o centenário do evento histórico, em 1935. Foram idealizadores dessa mostra o jornalista Guilherme de Paula Barroso e o pesquisador Biágio Soares Tarantino, que, com suas coleções particulares, fundou o primeiro Museu de Rio Pardo, nas dependências da antiga prefeitura, em 1938. Hoje, o espaço é uma das principais fontes de pesquisa histórica e inclui a primeira centrífuga de mel da América Latina.

No Museu Zoológico Municipal, adquirido em 1979 e instalado oficialmente em junho de 1980, existem diversas espécies de animais da região e também de várias partes do Brasil, algumas delas em extinção. Criado pelo tenente-coronel da Força Expedicionária Brasileira (FEB) Áureo Müller, é, atualmente, local para estudos ambientais. Mantidos pela administração municipal, os museus são, além de importantes pontos turísticos, espaços para conhecer diferentes animais.

Além disso, a cidade de Rio Pardo dispõe de um dos mais importantes acervos de documentos do país. O Arquivo Histórico Municipal Biágio Soares Tarantino, fundado pelo historiador que lhe empresta o nome, mantém a memória dos primeiros moradores. É uma relíquia históricas do município, pois registra a veracidade de fatos de notável valor. Nele encontram-se livros manuscritos e documentos avulsos dos mais variados registros do Brasil Reino, do Império e da República, até os dias de hoje. Professores de universidades de todo o Estado têm se utilizado da documentação existente nesse espaço para pesquisas e ainda para a produção de aulas práticas. Outro diferencial de Rio Pardo é ser o município do país que contém o segundo maior número de documentos referentes a inventários.

Fonte: http://www.defender.org.br/patrimonio-historico-as-margens-do-jacui/
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